Ocorreu-me ao rezar os mistérios gozozos do rosário de que a perda do menino Jesus no templo (São Lucas 2:40-51) é uma sublime prefiguração da morte e ressurreição do Nosso Senhor, e uma preparação de para Maria do sofrimento que ela havia de passar.
Jesus não voltando com seus pais e ficando em Jerusalém é símbolo da morte, onde Maria e os apóstolos perderam-No na mesma cidade, e também durante a Páscoa. A aflição de Maria e José é símbolo das lágrimas que ela derrubaria aos pés da cruz. O reencontro no templo após três dias representa a ressureição que ocorre ao terceiro dia. A resposta, a primeira vista “atrevida”, de Jesus (“Por que me procuravam? Não sabem que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?) aponta para o destino final de Jesus, a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde vive e reina. Finalmente, Maria e José não compreendendo o que Ele os havia dito é símbolo para a dificuldade dos apóstolo compreenderem a morte de Cristo e também aponta para este evento ser uma figura de um acontecimento maior que havia de vir, e que revelaria um significado mais profundo.
Durante as Sagradas Escrituras, vimos que Deus prepara seus escolhidos para os grandes desafios que Ele tem para eles. Um caso bem ilustrativo é o de Davi e Golias. Davi se oferece para derrotar o grande Golias, e apenas o faz pois tinha sido preparado por Deus antes em seus deveres de estado, como pastor de ovelhas, ao protegê-las de ursos e leões e lutando com eles (1 Samuel 17:34-35).
Do mesmo modo, Maria primeiro recebe a profecia de Simeão que diz que uma espada transpassaria sua alma (São Lucas 2:35) durante a visita no templo para sua purificação e a apresentação e circuncisão de Jesus, e 12 anos depois, acontece a perda do menino Jesus durante a viagem a Jerusalem, preparando-a para o grande sofrimento que ela haveria de passar durante a paixão de seu filho. Ela não compreendia o que Nosso Senhor havia dito para ela naquele momento, e talvez Davi também não compreendia o significado mais profundo das dificuldades de seu trabalho enquanto o fazia. Mas ela guardava todas estas coisas em seu coração, e pôde suportar e compreender melhor todas estas dores.